
Da ponta de um penhasco, um homenzinho observa o mundo e filosofa sobre as alegrias, as angústias e os absurdos da vida. Esta coletânea reúne as tiras da série La Vie en Rose publicadas entre 2021 e 2026 na Folha de S.Paulo e em O Globo.
Quando comecei a desenhar La Vie en Rose, lá nos anos 90, a ideia era descansar um pouco das estrepolias de Aline, Otto e Pedro. Não deu certo. Ou melhor: deu certo demais. O carinha de pé na beira do penhasco acabou virando um personagem, encontrando uma voz própria.
É isso que acontece com os personagens. Mesmo que a gente esperneie e esmurre a prancheta, esses pequenos malditos em 2D acabam ganhando vida própria e saem por aí batendo asas. O bonequinho passou a dar seus rolês e falar de qualquer assunto: autoestima, memória, redes sociais, amor, política, tubarões ou simplesmente do vazio de uma segunda-feira.
O cenário quase nunca muda. Quem muda é a conversa. Às vezes basta trocar uma frase para transformar um precipício em consultório, palco, sala de aula ou confessionário.
Continuo devendo muito ao cartunista Georges Wolinski, cuja imagem de um personagem contemplando o horizonte acendeu a centelha desta série. Mas, depois de tantos anos, La Vie en Rose seguiu seu próprio caminho.
Espero que você se divirta tanto quanto eu me divirto deixando esse sujeito falar sozinho.
Leia um trecho


2026 · 105 p. · 15,5 × 23,4 cm · preto e branco
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