
Este livro é uma coletânea de cartuns e tiras sobre política — esse assunto espinhoso que insiste em se levar a sério. Tomo emprestadas as palavras do escritor Nelson Moraes, que assina o prefácio desta edição:
“Humor político é uma coisa engraçada.
Não, não, sem tautologia ou recorrência ao óbvio: é mais como se fosse o início de um stand up (aquela coisa de sempre, “Olha, se tem um negócio que eu acho engraçado…”), mas completamente pertinente ao assunto em questão: o fato da política se permitir ser ridicularizada é uma coisa muito engraçada.
Porque política não curte ser zoada. Ela pode até suportar – um caso aqui, outro ali –, mas de modo geral ela é avessa ao humor. O humor expõe, arreganha, deixa exposto o ridículo que move a política, mostrando que ela não passa de um entre os vários instintos básicos que forjaram a Civilização como a conhecemos hoje: ou seja, não a conhecemos até hoje, mas não é isso o que eu quero dizer.
O que eu quero dizer é que o Adão Iturrusgarai, nesse livro, faz justamente isso: expor arreganhadamente a completa falta de sentido da política. As charges, tiras e cartuns mostram o quanto a política – apesar de conjunturalmente necessária – é permeada pelo ridículo, pela hipocrisia, pela bandidagem e, claro, pela falta de senso de humor.
O fato dela não ter nenhum senso de humor é que faz com que o trabalho do Adão fique mais divertido ainda: se de frente a política se reveste do enaltecedor traje do pendor cívico, por trás ela deixa a bunda exposta. E é aí que o Adão entra. Quer dizer. Simbolicamente.
Reforçando: a política, mesmo não assumindo isso, odeia ser esculachada. Ela tão somente permite (por enquanto), porque é do jogo. Pois o livro do Adão está aí para mostrar que – ela permitindo ou não – a zoação vai comer solta, porque é assim que tem que ser.
Viva a política. Enquanto a serventia dela for ser alvo do humor, óbvio.”
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2019 · 105 p. · 15,5 × 23,4 cm · colorido